O prazer de não escrever - Escritor C F Scuo
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O prazer de não escrever

O ato de escrever muitas vezes é apresentado de modo romântico, como uma atividade de prestígio, prazerosa e intelectual. Ter a escrita como exercício diário - em grande medida, espremido entre os outros afazeres da vida -, no entanto, pode constituir um desafio semelhante a qualquer outro trabalho.

A ponto de se obter maior prazer em não escrever do que escrevendo. E há nada de errado nisso.

Um trabalho como outro qualquer?


Um dos principais dilemas de quem se quer escritor ou escritora é entre escrever e não (ou parar) de escrever. Em linguagem mais shakespeariana, entre ser e não ser escritor ou escritora. Realizar o ato da escrita implica em encará-la como um trabalho, com todos os percalços que um trabalho pode ter.

A começar pela rotina. Para aqueles que se aventuram na literatura, um aspecto muito importante é a consistência na produção. Uma escritora ou um escritor se formam e se aprimoram a partir das obras que criam e publicam.

Enfrenta-se portanto a batalha de escrever frequentemente - diariamente? -, de estabelecer projetos, de cumprir prazos, de verificar a qualidade do texto produzido e buscar sua melhoria. A jornada da escrita pode se tornar árdua.

Além disso, a escrita não depende do livre fluir da inspiração. Ela exige disciplina e esforço constante. Frequentemente se parece com escalar um muro de superfície plana para se chegar ao outro lado.

Ignorando-se o que nos espera do outro lado.

Sem renda nem reconhecimento


A prática da escrita se notabiliza pela solidão. Se escrever pode trazer recompensas emocionais, satisfação pessoal, nem sempre traz reconhecimento. Ou o reconhecimento demora. Ou talvez nunca venha.

O mais provável é que jamais se escreva o livro mais vendido. De nuca ser o ganhador de um importante concurso literário. E nessa toada se vai construindo um conjunto de obras que encontrarão mais ou menos leitores.

Por que então escrever? O que escrever? Onde publicar? Para evitar que a expectativa se transforme em desânimo, recomenda-se a companhia da humildade a quem faz literatura.

Prazer de não escrever


Os empecilhos e o esforço criam situações em que não escrever é mais prazeroso do que escrever. Tanto para o iniciante e quanto para quem está na estrada há muito tempo.  A procrastinação - quando se adia o momento de sentar e dar continuidade à escrita - surge como um refúgio.

Existe um certo alívio em se evitar a tela ou a página em branco. E assim permanecer por uns dias, semanas ou mais. Tudo bem, todo mundo precisa de uma folga.

Acontece, sendo mais comum do que se supõe: o trabalho literário fica cansativo, moroso, amargo. Mas como em todo trabalho, nesses momentos do prazer de não escrever, depois de recuperado o fôlego, deve-se  respirar fundo, manter a calma e teimar feito um mula.

Só que, ao contrário do que diz o ditado, em vez de empacar no mesmo lugar, teimar em seguir adiante. Porque, no final, espera-se, a escritora ou escritor encontrará satisfação com o trabalho concluído.

Finalmente, vale lembrar que a tecnologia abriu oportunidades para quem escreve. Muito além de um livro, um texto encontra outros diversos meios para se publicar, como, por exemplo, blogs e mídias sociais.

Através deles também se faz literatura. De um modo bem mais próximo de possíveis leitores. Também são formas disponíveis para se explorar.





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