Um dia de Pedro - Escritor C F Scuo
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Um dia de Pedro

Ilustração de homem segurando copo, para o posto intitulado 'Um dia de Pedro'
Era o início do verão e Pedro Paulo Rangel caminhava por uma movimentada rua de Ipanema em direção ao trabalho. Cruzou por ele na calçada um gato de três patas perseguindo um avião de papel, ambos listrados. Chegando ao ponto de ônibus, Pedro Paulo Rangel compreendeu que a viagem ao trabalho pelo transporte público não faria sentido devido ao engarrafamento. Ele se atrasaria para o ensaio da peça no teatro. Frustrado, desviou os olhos para o céu e notou uma nuvem pairando preguiçosamente sobre sua cabeça. Uma joaninha vermelha e de cinco pontos pretos pousou em seu ombro. Pedro Paulo Rangel não pôde conter um pequeno deslumbramento com a beleza simples do inseto. Delicadamente, soprou a joaninha embora. A caminho do teatro, viu uma mulher comendo duas bolas de sorvete, uma da cor de açaí, outra da cor de maracujá, depois submergiu no aroma de pão recém-assado em frente a uma padaria. Seu estômago roncou, pois havia tido somente uma xícara de café com leite no desjejum. Do dossel das árvores, um pássaro mergulhou rasante e passou por Pedro Paulo Rangel. O vento soprou no rosto de Pedro Paulo Rangel, refrescando-o do calor. O som da sirene de uma viatura de polícia que costurava lentamente pelo trânsito engarrafado interrompeu os pensamentos do caminhante Pedro Paulo Rangel - pensava ele em comida. O caos e a turbulência do mundo ao seu redor fizeram Pedro Paulo Rangel se questionar se o copo da vida estava meio vazio ou meio cheio. O copo da vida? Fazia algum sentido aquela imagem? Rindo de si mesmo, Pedro Paulo Rangel acreditou que cada momento vivido é precioso e devia ser saboreado. Ainda mais em um dia como aquele, de início do verão.






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