Democracia em tempos de mídias sociais - Escritor C F Scuo
Lino BregerOpiniões acerca do mundo

Democracia em tempos de mídias sociais

Ilustração da Acropolis em Atenas, para o post intitulado 'Democracia em tempos de mídias sociais'
As empresas de tecnologia alteraram o mundo e se transformaram em uma ameaça às democracias contemporâneas. Os controladores dessa empresas concentram enorme poder e influência, porque suas companhias possuem uma presença onipresente na vida cotidiana das pessoas.

As companhias de tecnologia criaram e controlam as plataformas e serviços que milhares utilizam diariamente para se comunicar, acessar informações e realizar suas atividades diárias. Por meio de sua capacidade de manipulação e edição dos fluxos de comunicação e informação por algoritmos, elas direcionam os pensamentos, comportamentos e percepções das pessoas sobre o mundo ao seu redor.

Um dos mais perigosos aspectos das empresas de tecnologia foi ter subvertido a produção de conteúdo, que, em suas plataformas, converteu-se também em uma forma de consumo. Tome-se, por exemplo, produtores de conteúdo para o YouTube. Eles consomem os recursos oferecidos pela plataforma para gravar, arquivar e distribuir seus vídeos.

Ou então, pense em você mesmo. Com o apoio de aparelhos eletrônicos, você produz fotografias, vídeos e áudios com informações pessoais e privativas. Compartilha-os com outras pessoas através do consumo dos recursos digitais oferecidos pelos aplicativos e plataformas das empresas de tecnologia.

O que foi produzido se submeterá às regras e algoritmos ocultos e controlados pelas empresas. Dessa forma, estas ameaçam as democracias e os direitos civis. Exploram a grande quantidade de dados disponíveis sobre os usuários, inclusive financeiros e de contatos pessoais, em sua lógica de negócio. A má utilização desses dados fere a privacidade e a segurança de pessoas e sociedades.

Talvez a pior ameaça à democracia venha do lucro que as empresas de tecnologia realizam pela disseminação de desinformação e da manipulação de informações na internet. Boa parte do fluxo observado na rede digital de computadores corresponde a robôs, gerando tendências ou audiências artificialmente produzidas.

Além disso, o controle exercido pelas regras e algoritmos determina o nível de exposição dos usuários a mensagens e informações de interesse. O uso desses recursos para a desinformação e para a manipulação tem sido comum, moldando a opinião pública e a maneira como as pessoas pensam sobre questões e eventos.

Nos últimos anos, a concentração de poder político e econômicos nas empresas de tecnologia vem minando a integridade das sociedades democráticas.

Há duas ações para corrigir as distorções atuais. A primeira delas é a regulamentação das empresas de tecnologia. Pode-se, por exemplo, de foma a torná-las mais democráticas e transparentes, estabelecer a obrigatoriedade da partilha do controle acionário com os funcionários.

Pode-se impor responsabilizações civis e criminais quanto aos abusos praticados através das plataformas e serviços oferecidos pelas companhias. Com isso, elas seriam compelidas a rever e corrigir suas práticas econômicas.

A segunda medida é instituir, como se fez na Europa para a indústria jornalistica e de entretenimento, empresas de tecnologia públicas, cujo objetivo é criar e gerir, com transparência e responsabilidade, plataformas, aplicativos e serviços para usufruto seguro das pessoas e sociedades.

Enquanto tais medidas não forem aplicadas, o mundo continuará atolado nesse momento de instabilidade social e política.




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